O medo

Sempre ouvi dizer que, quando nasce o bebê, nasce a mãe e nasce a culpa. Confirmo. Só que, junto com a culpa, vem o medo. Vejo, em tantas imagens lindas, cheias de filtro, borda e stickers, aquelas cenas que descrevem o que é “ser mãe”: crianças felizes correndo por campos ou praias, figuras femininas e masculinas acompanhando-as com o olhar ou pegando-as no colo.

Foto fofa do dia <3

Foto fofa do dia ❤

Também vejo aquelas imagens de humor duvidoso (porém compartilhadas à rodo nas redes sociais) de mulheres (sempre mulheres) descabeladas, cheias de olheiras, sentadas no vaso sanitário implorando por 1 segundo de paz e tranquilidade, querendo um tempinho pra elas (nem que seja na hora de fazer um xixizinho rsrsrsrsrs) enquanto crianças com cara de “sem noção nenhuma”, comparáveis a pequenos tiradores da paz alheia adentram o banheiro.

Ah, sempre tem, também, aquelas imagens “da militância”, aqueles que se vangloriam de algum grande sofrimento que acompanhou o nascimento do filho. Se vangloriam de todos os sacrifícios feitos, de todas as renúncias, de todas as dores, de todos os incômodos, de todos os desconfortos. Idealizam a imagem da mulher (sempre a mulher…) que se descobre “forte” depois que teve filho. Que se descobre destemida ou que se faz de destemida “só por causa” do filho (o que ele pensaria, afinal, se descobrisse que ela tem medo?).  Eu fico aqui pensando se, um dia, todo esse confete se transformará em cobranças. Sério.

Uma coisa que eu não imaginei foi o nascimento do medo. Um medo enorme, de viver e de morrer. Não chega a ser um medo que incapacite, mas dá aflição. Medo do inesperado, até mesmo se ele for melhor do que o que havia sido planejado. Medo de estranhos, medo de perder o amor e a admiração do filho – ou medo de nunca conquistar. Medo de cometer erros, medo das consequências desses erros. E se ele andar sem engatinhar? E se ele falar outra palavra, em vez de falar “mamãe” primeiro? E se ele não me obedecer? E se ele não comer? E se ele comer demais? E se…?

Temos que lidar com o medo, sim. Medo pelos rumos que nossa vida dá e, principalmente, porque depois que temos filhos não é mais somente sobre a “nossa” vida – mas inclui as vidas deles. Responsabilidade. Clareza do que cada coisa significa. Medo.

Nunca me senti essa super mulher destemida e forte e, muito menos depois que meu filho nasceu. A sensação que eu tive foi a da responsabilidade. Essa, sim, sempre foi muito forte. Não digo que todas as mulheres (rsrsrsrsrsrs mulheres, de novo) sejam como eu, mas digo para aquelas que sentem medo: eu também sinto. Realizo minhas tarefas, dou carinho, alimento, dou banho, visto, dou vitaminas, brinco, dou beijo, cheiro, passeio. Mas tenho medo. Ele não me impede de fazer nada, e admitir que eu o sinto não me diminui enquanto pessoa ou enquanto mãe. Apenas me coloca na minha real e imutável posição: SER HUMANO.

Bjs

Samia-Mãe

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Sobre Samia Mãe

Samia, uma mãe com dúvidas e muita, mas muita vontade de acertar. Acredito que conversando sobre as dificuldades, elas se tornam menores e o caminho fica mais leve e divertido.
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