O que eu quero pra você – o que eu queria pra mim

Filhos são pessoas separadas de nós – fato. Eles moram em nosso corpo no início de vida, dependem física e emocionalmente de nós durante algum tempo depois que nascem, mas não são uma extensão nossa. São pessoas, não são um braço nosso, um órgão do nosso corpo. Eu bem sei que é muito difícil agirmos assim porque olhamos nossos filhos brincando, chorando, dormindo e sentimos uma conexão tão forte com eles, mas é importante percebermos que eles são, sim, pessoas separadas de nós.

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Dito isto, fica uma reflexão aqui: a vida que eu tive, o que eu alcancei e as minhas frustrações são MINHAS. As minhas necessidades fazem parte de mim, e não obrigatoriamente do meu filho. O brinquedo que eu não tive, o tipo de casa em que morei, a profissão que segui (ou que, por medo, não segui) fazem parte da minha experiência. Nossos filhos são frutos na mistura entre nós e o pai (geneticamente falando) e também das vivências na família e na comunidade, que possuem configurações diferentes daquelas em que nós mesmas fomos criadas.

Vejam bem, não estou falando de valores, de dar o lugar para uma pessoa mais velha, de compartilhar, de buscar o diálogo para resolver problemas. Estou falando daquela boneca, daquela roupa, do quarto exclusivo para brinquedos, do carro, das férias, dessas coisas. É muito comum ouvirmos “eu quero dar para o meu filho tudo aquilo que eu não tive”. Tudo o que você – hoje adulto – considera importante para a criança que você foi. Mas, me diga, será que tudo o que você não teve será importante para o seu filho? Considerando as configurações familiares de hoje, considerando o tipo de escola, as necessidades mais diversas, a forma de consumo, as redes sociais, considerando a mãe que seu filho tem (VOCÊ, e não a sua mãe), você realmente acha que o que você não teve fará diferença na vida do seu filho?

Essa reflexão tem povoado a minha cabeça há semanas por vários motivos. Eu achava que não queria dar para o meu filho o que eu não tive, mas estou mudando de ideia. Tenho lutado para que ele tenha coisas que eu não tive, mordendo a língua pela centésima vez desde que ele nasceu rsrsrs. Só que, dessa vez, eu realmente quero retomar minha concepção inicial – quero ter a sensibilidade para enxergar as necessidades dele, e não projetar nele as minhas lacunas.

Escrevo aqui para a minha própria reflexão, neste dia. Meu filho não é uma extensão minha, ele não é meu braço, ele é um ser humano diferente e separado de mim. Ele não precisa das mesmas coisas que eu precisei, ele não está sendo criado da mesma forma que eu fui. Ele não tem o meu nome, ele tem seu próprio nome e escreverá sua própria história.

Com o coração a caminho da cicatrização,

Samia-Mãe.

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Sobre Samia Mãe

Samia, uma mãe com dúvidas e muita, mas muita vontade de acertar. Acredito que conversando sobre as dificuldades, elas se tornam menores e o caminho fica mais leve e divertido.
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