Reflexões de uma terça-feira

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Nessa minha jornada “de mãe”,  há dias melhores e piores. Há aqueles em que,  a impressão que tenho,  é que as coisas se encaixam,  como se “as contas fechassem direitinho”. Há outros,  porém,  em que eu me sinto completamente derrotada. Sem pudores,  a palavra é “derrotada” mesmo. Angústia,  medo,  ansiedade. Assim finalizo muitos dos meus dias.

Mas D’us é muito misericordioso e tem me dado oportunidades valiosas que me levam a conclusões  interessantes e que me trazem conforto. Estou cercada de recém-mães queridas, que trocam muitas experiências comigo, que me ajudam a desabafar,  a rir das situações cotidianas em comum. Hoje,  precisamente,  uma das minhas “fichas” caiu (sim,  sou do tempo em que telefone público era usado com fichas. Sdds década de 80 ❤ ),  quando uma dessas amigas queridas me contou sobre seus planos para logo mais. Ela tem um filho lindo,  de menos de 2 meses de vida,  está completamente apaixonada por ele,  mas não perdeu o viço e o brilho nos olhos pela vida dela enquanto mulher e profissional.

Ultimamente,  percebo que há uma cobrança enorme para que as mulheres deixem completamente suas vidas,  seus projetos,  seus sonhos depois que se tornam mães. Existem mulheres que optam por não exercer outra função que não a de “mãe” durante um tempo ou mesmo para sempre. Dentre essas,  existem as que se sentem realizadas assim e outras que não ficam felizes (e nem sempre os motivos para essa sensação ruim são financeiros).

E as mães que retornam ao trabalho (ou mesmo as que passam a trabalhar depois que os filhos nascem) e  aos estudos? As valorizadas são as que “reclamam” da saudade dos filhos – espera-se que tenham jornadas de trabalho sofridas, que aparentem não querer estar em seus locais de trabalho,  que passem as horas com o pensamento em casa ou na creche. Quando alguma delas gosta do trabalho ou,  simplesmente aproveita a oportunidade de sair de casa para pensar em outros assuntos,  relacionar-se com outras pessoas,  exercitar habilidades sociais,  o que acontece?  Não sei,  mas pela pouca frequência desses relatos (e pela exaltação da mãe que fica em casa cuidando dos filhos), imagino que não seja bem vista. Afinal, que mulher é essa que ousa gostar de trabalhar?  Ela precisa se justificar usando a necessidade financeira ou o desejo de “dar um futuro melhor” aos filhos para que seu retorno ao trabalho ou seu empenho na vida profissional não pareçam estranhos.

Sigo uma blogueira cujo filho acabou de completar 1 ano (e tem o mesmo nome do meu filho ❤ ),  e recentemente ela postou uma foto em uma de suas redes sociais falando que admira demais as mulheres que optam por não trabalhar fora (ou exercer atividade remunerada) após o nascimento dos filhos,  mas que ela não conseguiria. Ela ama o filho,  se dedica a ele, mas também ama seu trabalho.

Então,  quem é essa mulher, que também é mãe?  Ela precisa se ressignificar?  Eu precisei. Senti vontade de voltar ao trabalho quando meu filho era bem pequeno. Sentia vontade de sair sem ele para passear. Durante muito tempo,  só quem soube disso foi minha psicóloga,  eu não tinha coragem de expor esses desejos,  achava que era uma péssima mãe por isso.

Amo meu filho demais,  quero muito acertar sempre com ele,  quero protegê -lo, cuidar dele. Mas sinto que,  se eu estiver feliz com minha parte “não – mãe”,  talvez fique mais fácil desempenhar o papel de mãe. Não sei se existe uma regra em relação a isso, mas a observação da minha vida e da vida das pessoas queridas que me cercam me leva à conclusão de que existe diversidade,  também,  sobre esse assunto.

Meu recado é: você pode buscar a sua felicidade,  a sua realização pessoal e profissional sem se sentir culpada por isso. Você pode querer sair de casa,  mesmo que seja sem o seu filho. Você pode não abrir mão de algumas coisas. Seu filho é alguém separado de você,  ele terá seus próprios interesses e paixões,  seus projetos,  e ficará feliz sempre que alcançar seus objetivos.  E você? Ficará feliz por ele,  com certeza. Mas e POR VOCÊ? Quando ficará feliz? Quais são as coisas importantes pra você?

Em busca dessas e outras respostas,

Samia-Mãe

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Sobre Samia Mãe

Samia, uma mãe com dúvidas e muita, mas muita vontade de acertar. Acredito que conversando sobre as dificuldades, elas se tornam menores e o caminho fica mais leve e divertido.
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