Mamãe vai, mas volta

Hoje meu filho acordou ainda mais cedo do que de costume e, quando eu saí do banho, ele estava na minha cama com a avó e o pai, que segurava sua mão. Miguel me olhou, depois olhou para o pai e disse: “Papai vai não”. Sorrimos, papai foi tomar banho. Comecei a me arrumar e meu filho eventualmente me pedia uma coisa ou outra, tipo o perfume do pai, me mostrava a camisa do pai pendurada no lado de fora do guarda roupa. Vovó saiu do quarto. Terminei de me arrumar, o pai saiu do banho. Então começou o boicote à nossa ida para o trabalho: “Mamãe, cocó!” (referindo-se à liga que uso para prender os cabelos, que ele resolveu usar como pulseira). Resolvi apenas sorrir e peguei outra. “Mamãe, vai não!” É nessas horas que meu coração aperta demais. Papai e eu nos olhamos e sorrimos. “Filho, papai e mamãe tem que ir. Mas a gente volta”. Vovó entra em cena: “Filho, papai e mamãe vão trabalhar e você fica com a vovó! A gente brinca de massinha, de chá. Aí depois a mamãe volta com o papai”
Suspiro. Papai diz: “Dá um abraço no papai”. Ele nega. Manda um beijo pra mim e diz: “Xau”. Eu corro pra pegar a bolsa, aproveitando que ele “deixou” que eu fosse embora. Quando me despeço, ele recua: “Vai não, mãe!” Eu sorrio e olho pra vovó. Ela: “Você fica com a vovó, a gente brinca!” Ele: “Não! Neném vai!” e me agarra com braços e pernas. “Filho, você ainda é muito pequeno. Quando for maior, mamãe leva você pro trabalho dela.”
Aí a vovó dá sua cartada final: “Vamos levar a mamãe no carro e depois a gente volta pra brincar de encher” (encher potinhos, brincadeira pra tomar banho). Ele aceita. Saio de casa com o coração cheio de ternura e grata por ele não ficar chorando.
Existem muitos dias iguais a esse, nossa separação nem sempre é assim, toda essa negociação faz parte mas nem sempre é tranquila, muitas vezes eu saio e ele fica chorando. Mas eu preciso ir, não posso ficar sempre com ele. O que me ajuda é saber que o deixo com a avó, em segurança, e que contamos, também, com o auxílio da babá. Vovó e neném se amam e sou grata por poder contar com a ajuda dela.
Sei que a minha realidade não é única porque muitas outras mães, após um tempo (maior ou menor), precisam voltar ao trabalho. É muito difícil essa fase de retorno (vejam, já tem mais de 1 ano que eu voltei a trabalhar e cenas como a descrita acima ainda se repetem), a gente vive tipo um dia de cada vez.
Todo esse diálogo serve mais pra mim do que pra ele – pois diminui um pouco a minha culpa e eu sinto que ele se acalma (tento sempre ter essa conversa com a voz mais tranquila possível, sorrindo e dando beijinhos). Mas quero deixar BEM CLARO aqui que não se trata de um “método”, é apenas a minha forma de lidar com isso. Não gosto nada da ideia de sair escondida, mas às vezes saio. Muitas vezes, faço tudo no maior silêncio do mundo para que ele não acorde enquanto ainda estou em casa. Também não acho que seja o mais “correto”, mas às vezes é o mais viável.
quadro
Espero ajudar alguma mãe que esteja passando por esse processo de “separação”, que é dolorido, eu sei bem! Todas as vezes que eu saio e o deixo chorando, pergunto à minha mãe se o choro durou muito, e ela me diz que não. Em geral, logo ele se distrai e passa. Pede, depois pra ficar na minha cama, assistir televisão no meu quarto. Acho que tipo aquela saudadezinha gostosa, não aquela dolorida. Final da tarde, na hora em que eu costumo chegar, ele começa a me chamar ❤
Ser mãe é a coisa mais difícil que eu já fiz na vida! A mais difícil de todas! Mais difícil do que prova oral surpresa de Física. Hahahahaha
Essa é a minha vida, a minha experiência. Torço muito para que esse post ajude alguém, porque sei que, nos momentos de dificuldade, a gente gosta de ler relatos reais, de pessoas reais que passam por apuros e seguem em frente.
Estou seguindo em frente, o amor me move.
“Sempre em frente, não temos tempo a perder!” (Legiããããããooooo!!! \o/)
Com carinho,
Samia-Mãe
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Sobre Samia Mãe

Samia, uma mãe com dúvidas e muita, mas muita vontade de acertar. Acredito que conversando sobre as dificuldades, elas se tornam menores e o caminho fica mais leve e divertido.
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