Escolinha?

Aos 2 anos e meio, meu filho começou a frequentar a escola. Não gosto do termo “escolinha”, só pra deixar claro. Rsrsrsrs Também para deixar claro, o objetivo da nossa família ao inseri-lo nesse ambiente, não foi que ele aprendesse a contar, escrever ou nada disso. Filho único em uma família de muitos adultos, acreditávamos que ele ganharia muito, em experiência, ao se relacionar com crianças de sua faixa etária e, também, que seria importante começar a dividir a atenção de um adulto cuidador com os colegas.

Mesmo sendo da área e tendo bem claras as minhas crenças, fico impressionada com o salto que ele deu, desde que começou a frequentar a escola. Eu sempre defendi que ir “cedo” pra escola era bom e, hoje, defendo que cada família sabe o que é melhor para a sua realidade. No nosso caso, considero que Miguel começou a frequentar a escola na idade certa, para ele. Nem cedo, nem tarde. Enfrentamos muitos desafios, mas considero que todos foram dentro do esperado e tem contribuído, justamente, para o desenvolvimento dele.

Sou grata, muito grata, pela oportunidade de oferecer ao meu filho o que eu considero importante para ele, dentro daquilo que eu acredito e priorizo. A escola não ensina somente a ele – ensina a todos nós, da família, que não temos uma redoma para guardar nossa criança. Ensina que haverá conflitos e que nossa criança precisará se desenvolver para lidar com eles e resolvê-los, do seu próprio jeito.

Nosso coração fica despedaçado com certas coisas mas nenhum de nós nasceu adulto, todos trilhamos nossos caminhos desde a infância e, só então, chegamos aqui. Cada um tem sua história e nossos filhos terão as deles – longe de nós, vamos aceitar isso rsrsrsrsrs Não é simples, a decisão de escolher escola ou creche, assim como não é simples decidir se a criança ficará com babá ou alguém da família. Quando nos tornamos mãe ou pai e acolhemos a responsabilidade que passamos a ter, todas as decisões que envolvem nossos filhos costumam ser complexas e, muitas vezes, doloridas e carregadas de culpa. Conosco, apesar de termos clareza de a escola seria o melhor que poderíamos oferecer a ele, naquele momento, também foi assim. 

Teve a primeira gripe, a primeira mordida, a primeira birra e a recusa dele em continuar na escola. E como ficam, pai e mãe, nesse momento? Investigamos o que estava acontecendo, conversamos com profissionais e com outros pais (dentro e fora da escola). Respiramos fundo e decidimos que passaríamos por aquilo da melhor forma que, segundo nossas crenças, seria insistindo. Foi a melhor escolha. Faz 8 meses que ele é um estudante e tantas, mas tantas coisas temos (todos) aprendido com ele e com seus companheiros…

Cores, números e quantidades, sinceramente, nunca foram nosso objetivo. Isso, ele aprenderia por si só, quando necessitasse (ou conosco). Mas algo que não podemos ensinar, que foge de nossas mãos, é justamente onde a escola entra. Não temos outros filhos, os primos dele moram longe (e tem suas próprias demandas, obviamente), trabalhamos fora de casa. Quem cuida dele é minha mãe, com quem ele tem uma relação muito especial, é avó dele, mata e morre por ele – assim como eu. Em sala de aula, a necessidade de aprendizado é em outro nível. No nível dos limites das outras crianças (todas e cada uma), no nível do respeito à hora de cada atividade, no nível do dividir a atenção dos adultos. Se alguém não achar que essa experiência é enriquecedora, ok. Mas, para nossa família, é extremamente enriquecedora.

Na Educação Infantil (momento em que meu filho se encontra), a interação com um ambiente externo ao lar, com outros adultos e outras crianças, por si só, já é uma baita “aula”. Sem os pais por perto, maior ainda esse aprendizado. Fora de nossa redoma, fora do nosso controle, fora do nosso olhar. Assustador? Claro que sim! Mas quem aí é adulto e ainda vive totalmente sob as asas dos pais? São muitos os cordões umbilicais simbólicos que temos com nossos filhos e, acreditem, é fundamental cortar todos eles (cada um a seu tempo, obviamente). Nossos filhos não são uma extensão nossa, precisamos ter clareza disso – eles são o que deixaremos para esse mundo.

Com amor e gratidão,

 

Samia-mãe.20170812_082532

Anúncios

Sobre Samia Mãe

Samia, uma mãe com dúvidas e muita, mas muita vontade de acertar. Acredito que conversando sobre as dificuldades, elas se tornam menores e o caminho fica mais leve e divertido.
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s