Quando a gente quer agradar

 

Quando a gente quer agradar a todo mundo, a sugestão é respirar fundo e…

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… fazer o que NÓS consideramos bom, certo, adequado. Agradar a nós mesmos. Pode soar egoísta? Pode. Mas buscar a aprovação do mundo inteiro é utopia.

Estar em paz com as nossas escolhas, sem a necessidade de justificar isso ou aquilo, sem ficar segregando quem pensa diferente ou mesmo nos enaltecendo pelas nossas ~excelentes ~ escolhas.

Sabem o que essas atitudes acabam criando? Bizarrices desse tipo:

mães que trabalham em casa X mães que trabalham fora de casa

mães que são casadas X mães que são solteiras

mães que amamentam exclusivamente X mães que amamentam e complementam com fórmula (ou simplesmente não amamentam)

mães que oferecem somente comida orgânica X mães que oferecem outros tipos de comida

mães que deixam os filhos na creche X mães que tem babá

mães que usam sling X mães que usam canguru

mães que usam sling X mães que usam carrinho

mães que deixam os filhos assistir televisão X mães que não deixam

Mães são mães. Ponto.

Com carinho,

Samia-Mãe

 

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A escolha mais fácil da minha vida

Ser mãe foi a escolha mais fácil da minha vida. Não sei ao certo como e quando eu a fiz,  sinto que era daqueles desejos “desde sempre”.

O que eu não podia sequer supor,  era que ser mãe não era como nos contos de fada,  repleto de tons pastéis,  cheio de suavidade,  totalmente intuitivo ou tecnicamente fácil. Decidir ser mãe foi simples,  mas sê-lo são outros quinhentos.

 

Este blog está se tornando,  mais rapidamente do que eu supunha,  meu caderninho de desabafos. São intimidades que decido partilhar por questões particulares e porque percebo que,  ainda hoje,  ter filhos é estimulado (às mulheres) como se fosse o caminho natural,  universal. E,  não, não é. Não tem que ser,  não é. O tempo todo precisamos decidir coisas que nos parecem definitivas, tememos as consequências de cada uma delas como jamais poderíamos imaginar temer. Pra mim tem sido inevitável me olhar como filha para me entender como mãe,  e isso também tem sido desafiador. Os dilemas são grandes e constantes,  as dores e alegrias,  enormes.

Sempre que escrevo sobre isso,  me sinto meio que na obrigação de dizer que amo meu filho,  que não imagino mais minha vida sem ele,  etc,  como se tivesse que me justificar por expor a coisa dessa forma. Hoje,  porém,  não farei isso.

Ser mãe é um caminho “sem volta”,  a tal ponto que não imagino mais minha vida sem ele hahahaha. Não me lembro mais como eu vivia sem ele. Mentira,  lembro sim,  e muito bem: eu era mais mal humorada,  mais preguiçosa,  mais intolerante,  mais implicante, era uma Samia que precisava de muitos ajustes e meu filho tem me ajudado a colocar as coisas em ordem.

Obrigada,  meu amor!

Com amor,  carinho,  suor e lágrimas,

Samia-Mãe

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Depressão pós parto

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Esta é a primeira foto que eu concordei em tirar minha ao lado do meu filho. Este foi, também, o primeiro passeio que fiz com ele. Foram momentos muito difíceis para mim. A tranquilidade com a qual transcorreu a gravidez não foi, infelizmente, transferida para o pós parto. Conheci um lado meu totalmente nebuloso, conheci a tristeza profunda, a mais completa falta de vontade de viver. Não foram dias ou semanas difíceis – foram meses intermináveis. Meses em que eu olhava para meu filho e só conseguia sentir medo, dor, confusão, vontade de fugir. Não era cansaço típico.

Eu não queria visitas e não queria visitar ninguém. Gostaria de ter podido ficar em paz para, pouco a pouco, conhecer meu filho e me habituar às novidades. Não pude. As pessoas chegavam e olhavam para nós, eu sentia que mediam meu filho, procuravam algum defeito. Hoje, imagino que queriam somente  conhecer o bebê e me dar um abraço. Mas, na época, era muito dolorido cada vez que chegava alguém – ou cada vez que alguém avisava que ia chegar. Talvez o início dessa aflição tenha coincidido com a extrema dificuldade em amamentar meu filho. Eu tinha vergonha de todo esforço que tinha que fazer para que ele pegasse o meu peito – e do fracasso recorrente. Não queria que me perguntassem “Mas por que ele não pega o peito?”, mas tinha absoluta certeza de que perguntariam. E, muitas vezes, perguntavam.

Ainda não quero entrar em tudo o que envolveu minha saga em busca de amamentar meu filho, porque são muitos detalhes (e eu quero listar, inclusive, os produtos que testei e o que aconteceu, ao final. Spoiler: meu filho é lindo e saudável. E sabe que é amado demais por todos os seus cuidadores). Mas vou falar um pouco sobre essa dificuldade e o restante do quadro que se instalou em mim: recebemos alta da maternidade sem que meu filho mamasse no peito (ele nasceu de uma cesariana de urgência, prematuro, ficou 24h na UTI e depois foi para o apartamento, comigo). Voltamos, durante muitos dias, para um setor chamado “lactário” dentro da própria maternidade, para que meu filho “aprendesse” a mamar. Eram horas (sem exagero) angustiantes, onde eram feitas muitas manobras para que ele pegasse o peito que iniciavam com ele ainda dormindo (porém em jejum de mais de 3h) e terminavam com ele aos berros, minha roupa molhada de leite e meu peito dolorido. E, invariavelmente, com ele bebendo “complemento” no copinho, porque não tinha bebido 1 gota de leite materno sequer. Dia após dia, era isso. Em casa, tentava as mesmas manobras, ele gritava sempre, familiares me ajudavam (minhas tias, prima e meu marido também), e ele terminava, após horas, bebendo o “complemento” na seringa ou no copinho. Quando comprei as bombas de extração de leite materno, conseguia ordenhar uma pequena quantidade de leite materno e ele bebia no copinho ou na mamadeira. Imaginem receber visitas com essa rotina. Pois é, mas eu recebia, angustiada. O que seria o esperado? Eu dizer para as pessoas tudo o que estava passando para que, assim, elas se tocassem e não fossem em casa? Era muito, mas muito difícil pra mim. A vergonha que eu sentia e o meu fracasso estampado no choro incontrolável do meu filho me faziam querer me isolar cada vez mais. Era lidar com a insistência na amamentação e a frustração do fracasso. Agora, escrevendo isso aqui para vocês, eu consigo intuir que, sim, essa situação contribuiu muito para meu estado ruim.

Estava vivendo a realização de um sonho – ser mãe, mas ele vinha acompanhado de um pesadelo: não conseguia lidar com as dificuldades. Para mim, era tão confuso, tão triste, tão sufocante, que eu não tinha vontade de nada. Só de morrer, mas não tinha coragem de acabar com minha vida, então busquei ajuda profissional. 2 dos meus médicos receitaram medicamentos e eu busquei terapia. Foi uma excelente escolha, sinceramente. Nem tanto pelo medicamento (que não citarei o nome aqui), mas pela terapia. Foi lá que descobri muitas questões importantes sobre o puerpério, sobre mim, e é na terapia que tento, até hoje, me ressignificar.

Meu objetivo, aqui, certamente que é desabafar. Mas, além disso, é dizer que, se você está passando por algo parecido, existe saída. Se você se sente incapaz (inclusive, fisicamente), exausta, incompetente, busque ajuda. Eu sei que muitas recém mães não buscam essa ajuda e, sozinhas (muita vezes, em silêncio total), superam essa dificuldade. Cada caso é um caso, muita gente já tinha me falado muito mal sobre fazer terapia e eu já tinha ouvido que “dá perfeitamente pra sair dessa sozinha, é só ter força de vontade”. Mas eu não sei se conseguiria. Quando eu estava me sentindo no fundo do poço, à beira de um abismo, ouvir certas coisas, ver certas cenas, ser obrigada a conviver com certas pessoas era um esforço hercúleo pra mim. Ter que cumprir com obrigações sociais era um martírio. Não estou exagerando em nada, gente. A depressão fez isso comigo, eu me sentia um fantasma, uma morta viva. Olhava para meu filho e chorava. Chorava de medo, de angústia, de dor, de pena, de cansaço.

Hoje já faz mais de 1 ano que ele nasceu. Olhando pra trás, sinto muita culpa em perceber tudo o que eu perdi. Sei que ele ainda é muito pequeno, ainda é um bebê, mas sei também, que o tempo não volta. As marcas desse período tão difícil estão por toda parte: na aflição que sinto ao ver certas fotos dele, nas frustrações relacionadas à alimentação dele e em muitos outros lugares escondidos do meu coração.

Lidar com o que passou e deixou marcas não é fácil e não sei se, um dia, será. O que sei, hoje, é que ganhei um presente maravilhoso que é o meu filho e, junto com ele, ganhei de volta a minha família de origem, que se reaproximou de nós, assim que ele nasceu. Sei, também, que ganhei amizades, que filtrei e deixei para trás outras, que me roubavam a pouca paz que eu pudesse ter nos piores momentos. Esse, aliás, foi um processo dolorido, mas necessário e extremamente benéfico. Quando você tem uma doença como depressão, muita gente te julga: você passa a ser a antissocial, a grossa, a triste, aquela que não tem força de vontade, a invejosa, aquela que não sabe lidar com a felicidade dos outros. O que essas pessoas não entendem, é que você está doente e precisa de um tempo para se tratar, se redescobrir, um tempo para VOCÊ. Se, no meio de uma crise, um momento de extrema dificuldade, você ainda tiver que dar explicações detalhadas para alguém sobre o seu quadro, para que essa pessoa possa te acolher, sinto dizer mas, talvez seja o caso de se afastar dessa pessoa.

Com carinho,

Samia-Mãe

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O lado fácil de ser mãe

Ser mãe exige da gente um desprendimento enorme. Exige força física e psicológica, rapidez de raciocínio mas não precipitação.

É aquela coisa, mil decisões para tomar diariamente, todas elas super importantes. Fazer muitas coisas ao mesmo tempo, e todas com precisão porque se alguma sair “mais ou menos”, dedos nos são apontados (muitas vezes, nós mesmas nos apontamos dedos, nos cobramos, somos implacáveis).

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Ser mãe não é fácil, é complexo. Difícil mesmo. E ainda mais quando somos críticas, inseguras, frágeis – acreditem, mesmo após o nascimento de um filho, algumas mães permanecem tendo essas características.

A gente não deixa de ser “humana” quando nascem os filhos, mesmo com tantos anúncios e imagens fofas que vemos nas redes sociais que nos dizem o contrário (as super mães, super mulheres ultra realizadas após o nascimento dos rebentos). Continuamos cansadas, tendo fome, precisando tomar banho, querendo espairecer um pouco.

Não tem escolha fácil. Não é fácil amamentar, não é fácil dar mamadeira. Não é fácil deixar chorar, não é fácil tentar acalmar e o menino continuar chorando (“Por que ele não parou de chorar? Eu não sou boa o suficiente?”). Não é fácil dizer “não” e não é sempre que podemos dizer sim.  Não é fácil separar nosso filho de nós – sempre o acharemos um pedacinho nosso, mas ele é um ser humano ALÉM de nós. Não é fácil decidir usar fralda de pano quado todos ao redor te acham a louca por não usar fralda descartável. Assim como não é fácil usar fralda descartável.

O que, nisso tudo me constrange, é o julgamento alheio, como se nós mesmas já não fôssemos autocríticas o suficiente. Me constrange quando acham que dar mamadeira, ter babá, trabalhar fora de casa, colocar na creche , deixar com a avó, quando acham que todas essas escolhas são o “caminho fácil” . Quando acham que deixar o filho assistir televisão é o “caminho fácil”. Não é. Todas as escolhas são difíceis. “Menos dedos apontados, mais mãos estendidas”, como eu li mais cedo.

Samia-Mãe

 

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Reflexões sobre reflexões

20150916_220559O mundo tá ficando muito chato. Mas chato demais. Não sei se vocês compartilham da minha opinião, mas hoje em dia a gente tem que medir demais as nossas palavras, os nossos pensamentos, as horas que passamos com o celular, com a televisão, contar todos os nutrientes que ingerimos e damos aos nossos filhos… Vejam bem, não me entendam mal (cá estou, medindo minhas palavras), eu sei que respeito ao outro é fundamental, sei que cuidar da alimentação é obrigatório e que hoje em dia poderíamos usar menos certas tecnologias. Sei. PORÉM…

  1. Cadê nossa espontaneidade? É, realmente, possível, vivermos sem utilizar ironia (ou ter que explicá-la), sem brincar, sem rir das situações? E qual seria a qualidade dessa vida?
  2. Patrulha sobre o que pensamos me soa como teoria da conspiração, fellas!
  3. Se, por um lado, usar o celular em excesso é um risco sob muitos aspectos da nossa vida (desde tirar nossa atenção ao trânsito enquanto dirigimos até prejudicar nossa interação com as pessoas fisicamente a nossa volta), deixar de utilizá-lo HOJE EM DIA, com o ritmo de vida que JÁ TEMOS, nos tira a oportunidade de aproveitar muitas facilidades (inclusive de interação social, com pessoas queridas que não estão perto de nós – fisicamente). Imaginem as belas cenas que registramos, diariamente, de nossos filhos. Tantas, certo? Que bom podermos enviar essas imagens à avó que mora longe, ao tio que trabalha demais ou aos amigos queridos, né? Imaginem a praticidade de quem tem alergia ou intolerância alimentar e não enxerga, poder utilizar um aplicativo para LER EM VOZ ALTA a tabela nutricional ou os ingredientes de um produto alimentício no supermercado!
  4. Televisão? Como toda tecnologia, como todo conhecimento, pode ser utilizada para o “bem” e para o “mal”. E a escolha é SEMPRE nossa. Somente nós conhecemos nosso cotidiano, nossas necessidades, nossa configuração familiar. Somente nós podemos decidir quando e como utilizá-la.
  5. Voltando ao tema da alimentação: com acesso a tantas informações (via, sobretudo, televisão, celular, computador…), muita gente pode ficar confusa sobre o que comer e o que oferecer aos seus filhos. Sim. Mas quem enfrentar essa confusão, pode perfeitamente buscar opinião de um médico de confiança ou fazer suas próprias pesquisas. Não sejamos os “chatos” que se incomodam com a vida e a alimentação alheia, por favor.

Hoje, especialmente hoje, li um post de outro blog que me fez refletir, ainda mais, sobre as minhas escolhas. Era sobre “consumismo” ou que “os outros” dizem que é essencial para criarmos nossos filhos (enquanto ainda são bebês). Concordo, claro, que existem muitos exageros. Mas, acima de tudo, sou da opinião que o que é necessário para uns, pode ser supérfluo para outros. E não podemos julgar ninguém. Esse tem sido meu mantra (“não podemos julgar ninguém”). Eu mesma fiz uma lista de “coisas” que eu considerava importantes para amigas minhas que tiveram  filho depois de mim, e tenho certeza de que as ajudei com isso.

No post que li mais cedo, me incomodou o fato de ser estimulada a desconfiança. Como se nós, mães, fôssemos as donas da verdade. Como uma mulher grávida, preparando o enxoval de seu filho, não vai acreditar no que lhe disser sua própria mãe, nas opiniões que o pai da criança lhe der, no que ela ler na internet ou no que a televisão lhe diz? Ela deve confiar em quê? Vou dar meu próprio exemplo: imaginei que iria amamentar meu filho exclusivamente no peito até os 6 meses. Não pude. Mas achava que comprar bomba de extração de leite era besteira, não precisaria. Afinal, amamentar é automático (só que não foi assim. E acredito piamente, que NÃO É ASSIM). Não comprei mamadeira, não comprei esterilizador. Não sabia nada sobre sistema anti cólica. Resultado: não pude amamentar e, às pressas, nas primeiras semanas de vida do meu filho, meu marido teve que se virar “sozinho” para descobrir alternativas. É aí que eu defendo que devemos ouvir a experiência dos outros – e não desconfiar de TODOS, como sugeria o post que li.

Por fim, minhas diquinhas:

  1. Busque informação
  2. Respeite a opinião e as escolhas alheias
  3. Utilize a tecnologia da melhor forma – de acordo com as suas convicções
  4. Não dê palpites – coloque-se à disposição quando quiser ajudar e posicione-se quando (E SE) for solicitado
  5. Acolha
  6. Não aponte dedos (estou sendo redundante à dica 2, sei, mas não me controlo rsrsrsrsrs)
  7. Seja feliz. Se der. Porque hoje em dia, tá puxado.

Com carinho,

Samia-Mãe

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Agora é sobre mim

 

Até o momento, ser mãe tem me trazido os sentimentos mais diversos.

É uma aventura diária, é uma montanha russa ligada 24h. Toda alegria é extrema, toda preocupação também. É exaustivo, toma a maior parte dos meus pensamentos e sentimentos.

Confesso que, quando iniciei esse blog, o fiz muito timidamente. Afinal, meu filho tinha pouco mais de 1 ano, o que eu podia dizer sobre “ser mãe”? Eu tinha pouco mais de 1 ano como mãe, que experiências eu poderia trocar?

Este espaço é para todos os que quiserem ler, identificando-se ou não com os textos e vivências. Mas é, também, como um livro de memórias, onde derramo muitas lágrimas e de onde brotam muitos sorrisos.

Eu nunca tive sentimentos tão à flor da pele – nem nas mais arrebatadoras paixões que já senti. É diferente, agora. É a euforia diante de cada dente que nasce e a tristeza a cada birra. A maioria de nós, mães do século XXI, recebe bastante informação quando decide engravidar. Sabemos, portanto, que haverá vacina, febre, cólica, noites insones, sabemos que haverá choro, birra, que haverá leite empedrado e muito mais. Mas quando qualquer uma dessas coisas acontece, a gente sofre. Ô se sofre!

As decisões são suadas, as opiniões alheias são constantes. A insegurança também é companheira, mas a consciência tranquila é quem embala nosso sono – às vezes. Sim, porque a culpa é monstra! Aliás, sobre a culpa… eu já fiz muita coisa errada nessa vida. Já me senti culpada, já sofri, já chorei. Mas NUNCA, vejam bem, NUNCA, a culpa foi tão dolorida. E, pasmem, culpa mesmo com a consciência tranquila. Doido, né? Pois é. A #samiamãe é assim: doidinha varrida.

Por outro lado, o trabalho para que as coisas dêem certo nunca foi tão árduo e eu nunca fui tão aplicada. Sério. Ao final do dia, estou exausta – acho que mais psicologicamente do que fisicamente, se for analisar direitinho. Fato é que essa grande aventura é justamente o que me move. É por isso que acordo diariamente, é por ele que meu coração acelera. Quando saio do trabalho, é aquele sorriso (agora já nem tão desdentado assim) que eu procuro.

Aliás, é uma tarefa difícil não deixar a “mulher” empalidecer e dar lugar somente à “mãe”. Eu não quero deixar de ser eu mesma, não quero deixar meus sonhos, meus prazeres, meus desejos de lado para viver a vida do meu filho. Não quero porque sei que o preço disso é altíssimo – e para TODOS. Faço o exercício constante de me encontrar no meio dessa dinâmica.

Pra frente é que se anda!

Com carinho

Samia-Mãe

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Os presentes que você me deu

Eu era ideia fixa, mandona, desconfiada, rancorosa. Era dona da verdade, vaidosa, fútil. Era egoísta, preocupada ao extremo com a opinião (e aprovação) dos outros. Sofria demais. Controladora, não admitia contestação ou dúvidas sobre as minhas muitas certezas. Comprava brigas, dividia o mundo entre “pessoas boas” e “pessoas ruins”. Falava sem pensar.

Você chegou.

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Logo de cara, entendi que eu não estava no controle de tudo. Aos poucos (e com dores), tive que deixar de se ideia fixa, dona da verdade e mandona. Você me mostrou que existem coisas pelas quais lutar, sim, mas que ser flexível tem muito valor. Você me deu óculos, pelos quais venho tentando enxergar a vida de outra forma. Vaidade é uma coisa que mudou muito – e não falo somente daquela vaidade referente à aparência (passar batom, hidratante, alisar o cabelo), mas da vaidade relacionada a você. Insistir em coisas, que coloco como prioridades minhas, somente para provar pra todo mundo que EU POSSO, EU CONSIGO, hoje tem outro significado pra mim. Não busco mais essa aprovação externa ao extremo, como a velha Samia buscava. Hoje, me importo, acima de tudo, com VOCÊ, com SEU bem estar. Acima do meu, acima da opinião alheia. Hoje, me preocupo com o que VOCÊ vai pensar. Tá, ainda tenho muito para ajustar, mas a mudança já iniciou – e foi profunda. Certezas? Poucas, restritas, em construção. Hoje meu mundo não está mais dividido em “pessoas boas” e “pessoas ruins”, consigo ver com mais clareza que a natureza humana abriga esses dois perfis em cada um de nós. A parte de comprar brigas está relacionada com a parte de falar sem pensar: como parei para pensar bem mais antes de falar, passei e comprar bem menos brigas. Afinal, pra quê mais raiva nesse mundo? Rancorosa reconheço que ainda sou, mas não me orgulho disso. Quero melhorar, filho. Por você e por mim, também: o rancor aprisiona quem o sente e, sinceramente, de prisões, já me bastam tantas que a vida em sociedade impõe, não preciso construir nenhuma outra.

Você, meu amor, me mostrou um mundo inteiro de possibilidades. Você me mostrou uma Samia que eu ainda não conhecia, alguém que eu nem imaginava que pudesse ser. Você me deu e me dá, diariamente, de presente, várias oportunidades, várias opções de caminhos. Muitas vezes, me vejo perdida diante deles, mas a injeção de amor que recebo a todo instante e o sorriso nos lábios e lágrimas nos olhos que me vêm sempre que penso em você, me ajudam a tomar as decisões necessárias. Tenho vontade de voltar atrás, muitas vezes. Quando posso, volto. Hoje não tenho vergonha de assumir meus erros e não tenho a vaidade de demonstrar certezas que seriam, na verdade, somente um retrato da minha insegurança. Tenho medo e assumo. Tenho vontades e as assumo. Sinto cansaço e assumo. Tenho minhas limitações e assumo. É tão libertador, meu filho!

Muito obrigada, meu amor, meu grande e eterno amor, por tantos ensinamentos!

Eu te amo.

Samia-Mãe

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Tem criança nessa casa

Tem criança nessa casa,  nessa vida.

Tem brinquedo espalhado, tem gente esbarrando e pisando em carrinho.

Tem amor,  alegria, tem barulho de choro e de gargalhada – de adulto e de criança.

Tem olheira,  dor na lombar e nos pés.

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Tem adulto se jogando no chão pra tentar evitar que coisas quebrem. Tem adulto andando na ponta do pé pra tentar evitar que menino acorde.

Tem medo e tem esperança.

Tem boleto, tem gastos,  tem contas sendo feitas e refeitas. Tem prioridades sendo revistas.

Tem rotina em adaptação (ao dente,  ao retorno ao trabalho,  à escola nova,  à babá, à alimentação… ) o tempo todo.

Tem criança nessa casa. Tem bagunça, tem criatividade,  tem que ter. Tem um pequeno cientista,  um pequeno atleta,  um pequeno professor,  um enorme amor.

Tem criança nessa casa,  há 1 ano e 4 meses. Apenas começamos.

Com amor,

Samia-Mãe

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Reflexões de uma terça-feira

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Nessa minha jornada “de mãe”,  há dias melhores e piores. Há aqueles em que,  a impressão que tenho,  é que as coisas se encaixam,  como se “as contas fechassem direitinho”. Há outros,  porém,  em que eu me sinto completamente derrotada. Sem pudores,  a palavra é “derrotada” mesmo. Angústia,  medo,  ansiedade. Assim finalizo muitos dos meus dias.

Mas D’us é muito misericordioso e tem me dado oportunidades valiosas que me levam a conclusões  interessantes e que me trazem conforto. Estou cercada de recém-mães queridas, que trocam muitas experiências comigo, que me ajudam a desabafar,  a rir das situações cotidianas em comum. Hoje,  precisamente,  uma das minhas “fichas” caiu (sim,  sou do tempo em que telefone público era usado com fichas. Sdds década de 80 ❤ ),  quando uma dessas amigas queridas me contou sobre seus planos para logo mais. Ela tem um filho lindo,  de menos de 2 meses de vida,  está completamente apaixonada por ele,  mas não perdeu o viço e o brilho nos olhos pela vida dela enquanto mulher e profissional.

Ultimamente,  percebo que há uma cobrança enorme para que as mulheres deixem completamente suas vidas,  seus projetos,  seus sonhos depois que se tornam mães. Existem mulheres que optam por não exercer outra função que não a de “mãe” durante um tempo ou mesmo para sempre. Dentre essas,  existem as que se sentem realizadas assim e outras que não ficam felizes (e nem sempre os motivos para essa sensação ruim são financeiros).

E as mães que retornam ao trabalho (ou mesmo as que passam a trabalhar depois que os filhos nascem) e  aos estudos? As valorizadas são as que “reclamam” da saudade dos filhos – espera-se que tenham jornadas de trabalho sofridas, que aparentem não querer estar em seus locais de trabalho,  que passem as horas com o pensamento em casa ou na creche. Quando alguma delas gosta do trabalho ou,  simplesmente aproveita a oportunidade de sair de casa para pensar em outros assuntos,  relacionar-se com outras pessoas,  exercitar habilidades sociais,  o que acontece?  Não sei,  mas pela pouca frequência desses relatos (e pela exaltação da mãe que fica em casa cuidando dos filhos), imagino que não seja bem vista. Afinal, que mulher é essa que ousa gostar de trabalhar?  Ela precisa se justificar usando a necessidade financeira ou o desejo de “dar um futuro melhor” aos filhos para que seu retorno ao trabalho ou seu empenho na vida profissional não pareçam estranhos.

Sigo uma blogueira cujo filho acabou de completar 1 ano (e tem o mesmo nome do meu filho ❤ ),  e recentemente ela postou uma foto em uma de suas redes sociais falando que admira demais as mulheres que optam por não trabalhar fora (ou exercer atividade remunerada) após o nascimento dos filhos,  mas que ela não conseguiria. Ela ama o filho,  se dedica a ele, mas também ama seu trabalho.

Então,  quem é essa mulher, que também é mãe?  Ela precisa se ressignificar?  Eu precisei. Senti vontade de voltar ao trabalho quando meu filho era bem pequeno. Sentia vontade de sair sem ele para passear. Durante muito tempo,  só quem soube disso foi minha psicóloga,  eu não tinha coragem de expor esses desejos,  achava que era uma péssima mãe por isso.

Amo meu filho demais,  quero muito acertar sempre com ele,  quero protegê -lo, cuidar dele. Mas sinto que,  se eu estiver feliz com minha parte “não – mãe”,  talvez fique mais fácil desempenhar o papel de mãe. Não sei se existe uma regra em relação a isso, mas a observação da minha vida e da vida das pessoas queridas que me cercam me leva à conclusão de que existe diversidade,  também,  sobre esse assunto.

Meu recado é: você pode buscar a sua felicidade,  a sua realização pessoal e profissional sem se sentir culpada por isso. Você pode querer sair de casa,  mesmo que seja sem o seu filho. Você pode não abrir mão de algumas coisas. Seu filho é alguém separado de você,  ele terá seus próprios interesses e paixões,  seus projetos,  e ficará feliz sempre que alcançar seus objetivos.  E você? Ficará feliz por ele,  com certeza. Mas e POR VOCÊ? Quando ficará feliz? Quais são as coisas importantes pra você?

Em busca dessas e outras respostas,

Samia-Mãe

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Mãe nas redes sociais (ou “me dê fraldas, não palpites”)

Coisas da nossa época,  as redes sociais facilitam muito a nossa vida corrida,  nos divertem,  nos ajudam a manter contato com pessoas queridas…  coisa maravilhosa, néam??  Pois então,  junto com todos esses bônus,  chega o ônus. Eu poderia apontar,  aqui,  questões delicadas como a segurança na rede,  mas hoje quero falar mesmo é do “patrulhamento” que existe e como nós,  mães,  nos saímos. 20150530_123930

Por acompanhar blogueiras de beleza desde antes de ser mãe,  eu já tinha lido comentários bastante desagradáveis de alguns seguidores dessas mesmas blogueiras quando publicavam fotos e vídeos. O que eu não imaginava era que,  no “cyber mundo materno” também rolava disso. Vejam bem,  não estou falando de celebridades  (embora elas também padeçam com isso),  mas falo de “gentem como a gentem” mesmo.

Nos grupos de mães que eu frequentava,  pequenos detalhes nas fotos postadas não passavam em branco : era  o tipo de roupa que o bebê estava usando que não era feita de tecido hipoalergênico,  era a postura da mãe quando pegava o filho no colo,  era a mamadeira ao fundo da foto…  enfim. Lendo os comentários e as respostas a eles,  eu deprimia porque o cenário era desolador: treta.

Fiquei com medo de postar certas fotos do meu filho. Comecei a cortar algumas partes temendo os dedos apontados e os pitacos. Fotos com ele mamando na mamadeira eram proibidas. Aliás,  fotos em que a mamadeira aparecesse  (ainda que ao fundo),  eram impensáveis. Teve uma época em que eu encuquei com o comprimento das minhas unhas nas fotos,  então só postava registros em que minhas unhas estivessem bem curtinhas ou não aparecessem.

Tive depressão pós parto,  o que me deixou ainda mais sensível a certos comentários. Com o tempo,  o tratamento e os “calos”,  relaxei um pouco. Aí,  eis que duas amigas pariram suas crias. Minha página na rede social encheu-se de fotos fofas dos bebês delas,  meu coração se encheu de amor ❤ e as fotos delas começaram a ser alvo de comentários desagradáveis.

Gente,  sejamos razoáveis : 90% das mães que eu conheço postam aquelas “indiretas bem humoradas” do tipo: “não me dê palpites,  me dê fraldas”. Não é preciso ser muito inteligente para entender que elas não querem palpites,  ou é?

Não vou entrar no mérito,  aqui,  da intenção do palpiteiro. “Deixa de ser chata,  Samia,  as pessoas só querem ajudar!”. Tá. Pode ser. Mas isso enche a paciência. Converse sinceramente e de peito aberto com uma mãe para saber se ela se importa ou não com palpites. Ofereça ajuda. É possível ajudar sem palpitar,  vai por mim. Coloque-se à disposição quando ela precisar de ajuda – e te pedir. Mas saiba segurar a sua onda quando não pedir.

Você é contra mamadeira?  Não curte andador?  Acha o fim bebê brincando com tablet?  Seja feliz – e deixe as mães que postam fotos de seus filhos nessas situações em paz! “Nossa!  Mas criança pequena não deve comer isso! ” ou “Não pode colocar o bebê pra dormir nessa posição! ” ou,  ainda,  “Ele não é muito novo pra ir passear no shopping?” são o tipo de comentário que pode ficar guardado pra você.

Minha inspiração pra esse post foi um vídeo no canal 5inco minutos  (da Kéfera),  em que ela aborda as “tretas” nas redes sociais. Não vou colocar link aqui mas recomendo que você faça uma busca e assista o vídeo. Assista com boa vontade. Assista disposto a compreender o ponto. Vale a pena.

Com amor,

Samia-Mãe

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