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E primeiro post do meu querido blog vai para… Hahahahaha

Ter um filho sempre foi um sonho e quando me vi grávida, eu mal podia acreditar que havia se realizado. Embora o período da gravidez tenha sido tranquilo, me via angustiada com muitas coisas que lia nas redes sociais – mesmo em lugares pretensamente desenvolvidos por e para mães. Lugares que, no meu ponto de vista, deveriam ser cercados de aconchego e acolhimento, revelavam-se cheios de hostilidade. Que triste!

Quando meu filho nasceu, todas as minhas certezas acumuladas ao longo da vida foram por água abaixo! Ele era lindo, saudável e querido por todos, MAS isso não me tornava segura das minhas habilidades (?) de mãe. Cada vez mais ansiosa, eu não conseguia confortá-lo, não sabia porque ele estava chorando. “Que tipo de mãe não sabe (ainda que, por mágica) o motivo do choro de seu filho?”, eu me perguntava.

Confesso que eu tinha muitas ideias formadas por pessoas cheias de certeza, mas que não estavam funcionando para a minha realidade.  A cada novo desafio, me sentia impotente. Amava meu filho mais do que tudo, mas não entendia um monte de coisas que se passavam com ele.

Até aqui, ele tem me mostrado que nem sempre as coisas “tem que ser” de uma determinada forma. Nem sempre. A gente tem uma ideia, tenta, insiste nela. Mas às vezes o ideal para a nossa realidade é outra coisa. Aquela teoria – muito válida, aliás – não se aplica para nós. Sigamos, então, em busca da teoria que nos serve – e se não encontrarmos, mãos à obra na elaboração da nossa própria ideia!

A mensagem que eu gostaria de deixar para iniciar o blog é: cuidado ao falar. Tudo, sempre. Quando estamos grávidas, a impressão que eu tenho é que surge um monte de gente que “sabe tudo” e gosta de desequilibrar as “grávidas zen” e deixar as “menos zen”, ainda mais tristes e aborrecidas. Ainda bem que depois que o bebê nasce isso passa, né? Não. Não passa. Essas pessoas sem noção simplesmente BROTAM na nossa frente, disparando pitacos sobre a nossa vida, nossa forma de agir, nossa alimentação, amamentação, higiene do bebê, escolinha, babá, limites, rotina de sono …  Nossa! Mais do que nunca, as mães tem todo o meu respeito, porque ter que lidar com esse tipo de gente não é nada fácil.

Um ambiente de troca de experiências, de gentileza, de amizade, de desabafos – é o que eu espero para este blog. É com imenso carinho que, hoje, ele nasce. Obrigada, obrigada, obrigada às minhas amigas que me encorajaram. Espero que vocês e outras mamães (e madrinhas, tias, amigas) se sintam à vontade aqui.

Um grande beijo!

Samia-Mãe

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Sobrecarga

Alguém já parou para pensar que, talvez, as expectativas que temos sobre o cuidado e a criação das nossas crianças esteja sobrecarregando os cuidadores?

Explico: existe um ditado,  em inglês,  que diz mais ou menos assim “é preciso de uma cidade inteira para criar uma criança”. Entre povos indígenas,  ao nascer, o bebê recebe cuidados de toda a tribo e o pequeno índio,  no decorrer de sua vida, recebe dos homens e mulheres mais experientes da tribo, as orientações de que precisa para fazer seus rituais de passagem, de forma a se tornar um deles.

Mas na nossa modernidade não cabem essas formas de comportamento. De jeito nenhum. Quem pariu Mateus que o embale. Na nossa modernidade,  a mãe é a total responsável por suprir todas (e mais algumas) as necessidades do bebê – da criança – da família. Cabe a ela dedicar-se 24h/dia aos filhos + à carreira + à casa + à  família. Cai sobre ela, inclusive,  a responsabilidade por reacender a “”””””chama da paixão “”””” em “seu” casamento.  O marido/companheiro não pode se sentir deixado de lado.

Mas vamos ponderar? Quanto desse peso a gente deixa colocarem nos nossos ombros? Quando alguém oferece ajuda, a gente aceita (ou nos “””””orgulhamos””””” de dar conta de tudo sozinhas)?

Até que ponto aceitamos dividir o trabalho? Talvez tenhamos aprendido a romantizar essa sobrecarga em prol de levantarmos a bandeira da Mulher Maravilha – e vestirmos a camiseta.

Essa reflexão é para todas, mas tenho a clareza absoluta que muitas mães não tem, de fato,com quem contar. Meu convite especial à reflexão é para aquelas que, tendo mãos estendidas em sua direção,  não se sentem no direito de aceitar ajuda. Sentem-se exaustas, irritadas,  mas não conseguem dividir tarefas porque aprenderam que mulher tem que ser guerreira,  tem que dar conta de tudo.

O primeiro passo da mudança começa em nós.

Com carinho,

Samia-mãe

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Comemorar e agradecer

Hoje estamos de “mesversário”. Há 2 anos e 5 meses, chegava meu filho, meu menino, meu mestre, agente transformador das nossas vidas. É bem verdade que, assim que completou 1 ano, deixamos de fazer aquele “bolinho” mensal para comemorar sua chegada, mas jamais nos esquecemos da importância que ele tem tido para todos nós.

Essa idade (2 anos e 5 meses) nada tem de “cabalística”, assim como não houve nenhum evento especial que pudesse ter me dado essa injeção de gratidão, mas o fato é que hoje, 06 de dezembro de 2016, sinto meu coração se encher, ainda mais, de amor, gratidão, alegria e todos os melhores sentimentos.

Assim que ele nasceu, fui atacada por amor de todos os lados, tive várias mãos estendidas, tive colo, tive muitas alegrias. Preocupações, angústias, medo, dedos apontados, laços desfeitos também. Foi uma enxurrada dos mais intensos sentimentos e, até hoje, a vida é cheia disso, de todos eles. Vê-lo levantar, dar sua primeira gargalhada, pegar a mamadeira pela primeira vez, falar sua primeira palavra (um sonoro “não” hahahahaha), tudo isso é cercado das mais intensas sensações. Hoje teve consulta de rotina com a pediatra, ele sentou sozinho na cadeira à frente dela, conversou, disse o que sentia, disse por que não estava comendo direito, só de lembrar, meus olhos se enchem de lágrimas.

É como se eu esquecesse das experiências mais dolorosas, de como cada decisão que preciso tomar me coloca em xeque com muitas variáveis. Hoje é quase como se nada doesse. Hoje as lembranças são somente as doces – ou melhor, as lembranças tem todos os gostos, mas apenas as doces tem importância. Hoje o choro é de alegria, o amor infinito mas que ainda encontra pra onde crescer.

Hoje, às 15h44min eu renasço como mãe daquele menino que chegou me mostrando que não é feio pedir ajuda, que não é feio assumir minhas limitações e que, sobretudo, amar é o maior e mais intenso desafio. Uns dizem que é escolha, não sei, o que eu digo é que amar não é fácil, mas é só o que vale a pena.

Descobri e descubro, diariamente, muitas cores, muitas palavras. Surgem rugas de tanto sorrir ao redor da minha boca, brotam lágrimas, a todo instante, dos meus olhos. Nascem dúvidas constantes na minha cabeça, as perguntas, os prós e contras das escolhas… tantas escolhas diárias! Mas ser mãe, no meu mundo, é assim mesmo.

Feliz 2 anos e 5 meses para todos os envolvidos nessa grande aventura!

Com amor,

Samia-mãe2a5m

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Na conta do filho

Eu tenho me questionado, cada vez mais, sobre esse laço que nos ata de maneira tão forte e definitiva com nossos filhos. É um laço que, vejam só, está mais em nós mesmas do que neles. Explico: muito se diz que o filho tem que cortar o cordão umbilical, interpretado como “tem que ir pra escola”, “tem que ir dormir na casa de um amigo”, “tem que ir morar sozinho”, essas grandes transições da vida. Mas eu não ouço muitos comentários sobre a mãe (vou falar “mãe” porque é isso o que sou, mas quem for pai, tio, avó e se identificar com o que vou escrever, fique inteiramente à vontade) se revisitar, sobre a mãe fazer escolhas pensando em si mesma, sobre a mãe viver sem “estar conectada” a esse filho. Será que é possível para uma mãe fazer escolhas pensando no seu próprio bem estar? Hm…

Minha divagação de hoje é, também, uma implicância. Implicância contra mim mesma, diga-se de passagem. Por que raios as mães tem que colocar o filho no centro de tudo? Tudo o que elas escolhem, sempre tem que vir junto com a justificativa: “é melhor pro fulano” ou “ele prefere assim”. E, gente, vamos combinar, nem sempre isso é verdade. Admitir que você usa sling ou canguru porque é mais prático PARA VOCÊ, porque pode realizar algumas tarefas do dia a dia utilizando as duas mãos não vai fazer de você uma pessoa egoísta. Assumir que você parou de amamentar porque estava desgastada, não te torna a pior mãe do mundo. Admitir que contratou uma babá ou colocou o filho na escola porque você queria trabalhar fora não te leva pro inferno. E mais: admitir que você GOSTA DE TRABALHAR FORA também não vai fazer você passar a eternidade queimando no mármore. Tá bom?

Eu imagino que a gente tenha sempre em mente o bem estar dos nossos filhos, mas valorizo a verdade em todos os âmbitos, inclusive se a gente for pensar em educar pelo exemplo. Pra quê construir castelos que, sabemos, irão ruir? Pra quê sustentar uma “verdade”, em vez de dizer A VERDADE? Eu luto diariamente contra a ideia de que a mãe é um ser iluminado, acima do bem e do mal, perfeito, divino. Mãe é uma mulher imperfeita, como as demais. É alguém que ama muito, mas comete erros. É alguém que muitas vezes está privada de sono, está com fome, está sem dinheiro, precisa de lazer. E mesmo assim tem demandas que não podem ser adiadas. Em algum momento, toda a abnegação pesa. E não é raro que isso aconteça e a gente veja aquelas mães desgastadas, muitas vezes agressivas, “sem paciência pra choro de criança”. Vamos encarar: mascarar nossas necessidades e desejos não nos torna “mães melhores”, apenas nos deixa mais sobrecarregadas. E será que a gente precisa de mais essa? Eu não.

Com amor, da sumida

Samia-mãe.sm

 

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Mãezinha

Mãezinha,  vamos lá: diga-me quais objetivos irreais você irá perseguir hoje?

Quais metas você,  conhecendo como ninguém a sua realidade,  vai estabelecer – e se frustrar ao final do dia?

Veja bem, mãezinha,  é importante procurar ser,  a cada dia,  melhor do que você foi no dia anterior. É importante não somente para o seu filho,  mas para você  (que,  aliás,  não deixou de existir depois que ele nasceu,  pare de tentar negar isso). É importante, no entanto,  ser realista e estabelecer suas metas de acordo com o que é viável PARA VOCÊ.

Especialistas em “criação de filhos” tem aos montes. Tanto os palpiteiros das redes sociais como aqueles diplomados Doutores em educação /desenvolvimento humano / etc e tal. São doutores,  com certeza eles sabem do que estão falando. Via de regra,  mãezinha, eles dizem que seu filho precisa de você,  exclusivamente de você. Dizem que somente o leite que sai do seu peito é suficiente. Então você começa a perseguir esse ideal – custe o que custar. Algumas vezes,  mãezinha,  você faz isso mecanicamente,  ou sem qualquer sensação de prazer ou,  ainda,  sem o mínimo sentimento de “plenitude”,  que esses entendedores garantem que você sentirá.

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Eles também costumam dizer que,  ainda que pareça contraditório, o pai da criança precisa se envolver com os cuidados desde cedo,  que o papel do pai é fundamental para o desenvolvimento de muitas estruturas cerebrais,  especialmente nos primeiros anos de vida. Você passa a perseguir o ideal de “pai perfeito” – ainda que o pai do seu filho não demonstre interesse,  ainda que,  inclusive,  vocês não morem mais juntos e você nem ache que ele é uma excelente influência para seu filho. Tudo bem,  tudo para as melhores condições de desenvolvimento para seu pequeno. O problema surge quando você acha que “fracassou”- ainda que isso não dependa de você,  ainda que dependa somente da vontade do pai (que parece não ter vontade alguma). Não depende de você mas você se culpa. Às vezes,  mãezinha,  você não escolheu de forma consciente um determinado cara pra ser o pai do seu filho,  apenas aconteceu. Falta de cuidado de ambos,  mas a culpa recai sobre você.

Mãezinha,  e o que dizer sobre sua vida profissional? Os doutores e os “doutores” são categóricos: a criança precisa estar no seio da família,  sendo cuidada pela mãe. Mas você precisa trabalhar fora. E agora,  mãezinha? Vai contratar uma babá? Vai deixar com a avó? Vai colocar numa creche? Não importa,  porque fazendo qualquer uma dessas coisas,  você estará “terceirizando” a criação do seu filho. Até um tempo atrás,  falava-se de um tal de “tempo de qualidade”, mas isso também já não existe mais,  agora o que vale é você passar o tempo todo com seu filho. Tempo de qualidade é coisa pra diminuir a culpa de pai/mãe preguiçoso e egoísta que põe filho no mundo e não quer “se consumir” com ele.

Mãezinha,  qual vai ser o aspecto que você vai escolher para se sentir culpada hoje? São tantos ideais-irreais-utópicos-fantasiosos que esses doutores escrevem que fica muito fácil “falhar”. Quantos desses doutores aplicaram tudo o que escreveram com seus próprios filhos, mãezinha? Se conseguiram,  é certo que não dormiam,  porque aqui no planeta Terra o dia de todo mundo tem 24 horas e,  considerando todas as pós graduações que eles tem,  toda sua produção cientifica,  todos os grupos de pesquisa que coordenam,  não sobra lá muito tempo para se dedicar aos filhos.

Ou será,  mãezinha,  que eles se dedicaram ao mais fácil dos ofícios : estudar a vida alheia e propor milhares de intervenções baseadas em colchas de retalhos de teóricos diferentes  (que não conheciam todas as facetas das realidades sobre as quais escreviam)?

Mãezinha, você é pós doutora na sua realidade. Você é quem sabe o que é possível fazer com o instrumental que tem. Cada escolha,  uma renúncia,  sempre. Claro que sim. Ter filhos significa mudar de vida. Mas a direção e a intensidade dessa mudança,  somente quem está ali,  roendo os ossos,  é que pode dizer.

Com carinho,

Samia-Mãe

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2 anos

Há 2 anos, nasci como mãe. Se fizer uma retrospectiva, tanta coisa mudou (dentro e fora da minha cabeça). Bora listar?

2014 – “Quero ter mais 2 filhos”

2016 – “1 filho está ótimo”

2014 – “Mãe tem que fazer tudo sozinha. Quem pariu Mateus, que o embale!”

2016 – “A gente não faz nada sozinho, nem nosso próprio filho, fizemos sozinhas” Quando temos a oportunidade de pedir ajuda, é uma delícia e isso não nos diminui enquanto mães. Pedir ou mesmo aceitar ajuda (sim, porque tem quem não aceite), seja pra simplesmente comer com mais sossego ou pra poder tirar um cochilo nos torna mais humanas. Mãe é ser humano, não super heroína.

2014 – “Amamentar custe o que custar”

2016 – “Amamentar, sempre que possível. E só quem sabe o limite do possível é a mãe”

2014 – “Criança na frente da televisão, jamais!”

2016 – “Televisão pode ser uma mão na roda”

2014 – “Escola? A partir de 1 ano”

2016 – “Escola a partir de 2 anos”

2014 – “Papinha é coisa de gente preguiçosa”

2016 – “Papinha, comida igual à nossa, em pedaços, sopa, da forma como ele aceitar. O importante é comer o mais saudável possível”

2014 – “Comer escondido do filho é um absurdo!”

2016 – Samia comendo pimenta biquinho escondida do filho

 

2014 – “Criança não é um mini adulto”

2016 – “Criança não é um mini adulto”

Algumas coisas não mudam, afinal… rsrsrsrs

Amor que só cresce, responsabilidade que só cresce.

Com carinho,

Samia-Mãe

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Essa sou eu – este é você

Hoje a reflexão é breve – ou melhor, pode ser demorada, mas será exposta de forma breve.

No esforço de “dar o melhor” para nossos filhos, muitas vezes nos perdemos de nós mesmas. À medida em que eles crescem, vão entendendo que são pessoas separadas de nós – isso é, inclusive, um marco no desenvolvimento deles. Mas, fica aqui a dúvida, quando é que nós mães entendemos que nossos filhos são seres humanos separados de nós?

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O choro, o desconforto, a irritação – deles ou nossa?

O brinquedo, a viagem, a festa de aniversário – necessidades deles ou nossas?

Próximo passo, depois de refletir sobre essas questões, é: quais sonhos são meus? Que expectativas eu tenho sobre a vida? Essas expectativas dizem respeito a quem?

Um bom final de semana – posto aqui o que eu mesma necessito ler e refletir sobre.

Sempre com muito carinho,

Samia-Mãe

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Projetos (ou Realização Pessoal)

Não questiono os objetivos de ninguém. Acredito,  sim, que muitas mulheres vêem a maternidade como o ápice da realização de suas vidas. Crêem que nasceram para ser mães e encontram,  após o nascimento de seus filhos,  sua melhor versão,  sentem-se plenamente realizadas. Acredito firmemente e admiro muito cada uma dessas mulheres. Acho que nada pode ser mais altruísta do que viver toda essa abnegação que ser mãe exige e alcançar,  justamente nesse estilo de vida,  a felicidade.

Eu sempre quis ter filhos (no plural) e sempre me vi como aquelas mães que dão conta de tudo,  incluindo carreira,  filhos,  marido,  estudos,  sem descuidar da maquiagem,  depilação, retoque de raiz rsrsrsrs. Ocorre que a vida é uma caixinha de surpresas rsrsrsrs e cá estou,  somente 1 filho e sem dar conta direito de nada do que listei acima. Que ironia! Provavelmente eu não tinha a menor noção do que aconteceria comigo depois da chegada do meu filho. Ele já está com quase 2 anos e eu tenho a impressão de que muita coisa ainda vai mudar!

Aos poucos  (beeeeeeeeemmm aos pouquinhos mesmo),  sinto que algumas das coisas que eu gostava de fazer antes de ser mãe estão voltando a ser realidade na minha vida. Sigo muitos blogs de mamães famosas e fico me perguntando como elas conseguem fazer tanta coisa e estar sempre impecáveis. Emagrecem,  voltam ao corpo de antes,  malham,  fazem pilates,  viajam (com e sem os filhos),  estão aí,  desenvolvendo mil projetos pessoais além da maternidade.

Sim,  é claro que devem ter babás. Não condeno. Deixam filho e vão resgatar desejos de quando ainda não tinham. Gostaria de propor uma reflexão,  especialmente para você que acha um absurdo que uma mulher queira ter um tempo para si mesma depois de ter filhos: até que ponto nos deixamos desaparecer completamente,  nos anulamos totalmente após sermos mães? E até que ponto isso faz bem para nós? E,  para muito além dos resultados imediatos,  até que ponto toda essa renúncia fará bem para nós enquanto mães? Vamos pensar com cuidado e carinho,  vamos tentar nos colocar no lugar das mulheres que fazem a opção de retomar suas vidas. Sigo uma mãe que é atleta profissional. Quantas horas por dia ela precisa se dedicar exclusivamente ao esporte? Sigo outra que é atriz e apresentadora. Seu trabalho não encerra quando as gravações da novela ou do programa acabam,  pois pela natureza dessas atividades,  há muito a fazer antes e depois. Seria condenável que uma mãe desejasse algo para sua satisfação pessoal,  individual,  intransferível?

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Listo,  a seguir,  algumas coisas que eu gostaria de fazer,  mas que no momento não me sinto em condições,  por motivos de: culpa.

1.Voltar a estudar francês

2. Praticar atividade física

3. Sair de casa sempre maquiada

4. Ir com mais frequência ao salão de beleza

5. Ir com mais frequência ao cinema

6. Estar com minhas (pouquíssimas) amigas

7. Fazer viagens de casal

Não me julguem. Ou melhor: julguem,  sim! Julguem com toda a força de seus corações. Mas julguem “valendo”! Depois que terminarem,  respirem e tentem fazer o exercício da empatia. Mas tentem com toda a força que usaram para me julgar. Depois me contem. Ou não. Apenas tentem fazer esse exercício e imaginem quantas outras mães comungam da mesma opinião que eu. E tentem dar as mãos a elas.

Com muito carinho, Samia-mãe

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Mamãe vai, mas volta

Hoje meu filho acordou ainda mais cedo do que de costume e, quando eu saí do banho, ele estava na minha cama com a avó e o pai, que segurava sua mão. Miguel me olhou, depois olhou para o pai e disse: “Papai vai não”. Sorrimos, papai foi tomar banho. Comecei a me arrumar e meu filho eventualmente me pedia uma coisa ou outra, tipo o perfume do pai, me mostrava a camisa do pai pendurada no lado de fora do guarda roupa. Vovó saiu do quarto. Terminei de me arrumar, o pai saiu do banho. Então começou o boicote à nossa ida para o trabalho: “Mamãe, cocó!” (referindo-se à liga que uso para prender os cabelos, que ele resolveu usar como pulseira). Resolvi apenas sorrir e peguei outra. “Mamãe, vai não!” É nessas horas que meu coração aperta demais. Papai e eu nos olhamos e sorrimos. “Filho, papai e mamãe tem que ir. Mas a gente volta”. Vovó entra em cena: “Filho, papai e mamãe vão trabalhar e você fica com a vovó! A gente brinca de massinha, de chá. Aí depois a mamãe volta com o papai”
Suspiro. Papai diz: “Dá um abraço no papai”. Ele nega. Manda um beijo pra mim e diz: “Xau”. Eu corro pra pegar a bolsa, aproveitando que ele “deixou” que eu fosse embora. Quando me despeço, ele recua: “Vai não, mãe!” Eu sorrio e olho pra vovó. Ela: “Você fica com a vovó, a gente brinca!” Ele: “Não! Neném vai!” e me agarra com braços e pernas. “Filho, você ainda é muito pequeno. Quando for maior, mamãe leva você pro trabalho dela.”
Aí a vovó dá sua cartada final: “Vamos levar a mamãe no carro e depois a gente volta pra brincar de encher” (encher potinhos, brincadeira pra tomar banho). Ele aceita. Saio de casa com o coração cheio de ternura e grata por ele não ficar chorando.
Existem muitos dias iguais a esse, nossa separação nem sempre é assim, toda essa negociação faz parte mas nem sempre é tranquila, muitas vezes eu saio e ele fica chorando. Mas eu preciso ir, não posso ficar sempre com ele. O que me ajuda é saber que o deixo com a avó, em segurança, e que contamos, também, com o auxílio da babá. Vovó e neném se amam e sou grata por poder contar com a ajuda dela.
Sei que a minha realidade não é única porque muitas outras mães, após um tempo (maior ou menor), precisam voltar ao trabalho. É muito difícil essa fase de retorno (vejam, já tem mais de 1 ano que eu voltei a trabalhar e cenas como a descrita acima ainda se repetem), a gente vive tipo um dia de cada vez.
Todo esse diálogo serve mais pra mim do que pra ele – pois diminui um pouco a minha culpa e eu sinto que ele se acalma (tento sempre ter essa conversa com a voz mais tranquila possível, sorrindo e dando beijinhos). Mas quero deixar BEM CLARO aqui que não se trata de um “método”, é apenas a minha forma de lidar com isso. Não gosto nada da ideia de sair escondida, mas às vezes saio. Muitas vezes, faço tudo no maior silêncio do mundo para que ele não acorde enquanto ainda estou em casa. Também não acho que seja o mais “correto”, mas às vezes é o mais viável.
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Espero ajudar alguma mãe que esteja passando por esse processo de “separação”, que é dolorido, eu sei bem! Todas as vezes que eu saio e o deixo chorando, pergunto à minha mãe se o choro durou muito, e ela me diz que não. Em geral, logo ele se distrai e passa. Pede, depois pra ficar na minha cama, assistir televisão no meu quarto. Acho que tipo aquela saudadezinha gostosa, não aquela dolorida. Final da tarde, na hora em que eu costumo chegar, ele começa a me chamar ❤
Ser mãe é a coisa mais difícil que eu já fiz na vida! A mais difícil de todas! Mais difícil do que prova oral surpresa de Física. Hahahahaha
Essa é a minha vida, a minha experiência. Torço muito para que esse post ajude alguém, porque sei que, nos momentos de dificuldade, a gente gosta de ler relatos reais, de pessoas reais que passam por apuros e seguem em frente.
Estou seguindo em frente, o amor me move.
“Sempre em frente, não temos tempo a perder!” (Legiããããããooooo!!! \o/)
Com carinho,
Samia-Mãe
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Sair com o bebê: o que mudou (bolsa do bebê)

Sempre ouvi dizer que com o segundo filho, a gente relaxa um pouco mais no que diz respeito à chamada “infra”. Não tenho outro filho, mas já sinto a diferença com meu único, bastou o tempo passar. Por mais que eu não nunca tenha me considerado daquelas mães que carregam a vida inteira do bebê em uma bolsa, tenho que concordar que, hoje, saio com bem menos itens do que antes (e não, não me fazem falta, os excessos).

bolsaLogo que meu filho nasceu, seguiu-se um período tenebroso em que eu tive depressão pós-parto, o que significa que eu simplesmente não saía com ele (a não ser para as visitas à pediatra, para as quais eu levava esta bolsa que aparece na foto cheia de coisinhas super necessárias #sqn).

Quando começamos a sair para passear, eu sempre achava que precisava levar algo para ele se alimentar. Como ele não mamava no peito, a bolsa tinha que ter, necessariamente:

  • mamadeira para leite,
  • garrafa térmica pequena
  • lata de leite (sim, eu levava a LATA TODA rsrsrsrsrs).

Além desses itens, sempre tinha:

  • 1 mamadeira com água para ele beber,
  • 6 fraldas descartáveis (pelo menos),
  • creme para assaduras
  • lenços umedecidos para a troca de fraldas e para limpar as mãos dele
  • lenços umedecidos para limpar objetos que vão à boca (bico de mamadeira, brinquedos)
  • saco de lixo
  • 2 fraldas de pano (para colocar no ombro, quando ele estivesse no colo)
  • 1 manta
  • 3 trocas de roupa
  • 1 lençol flanelado
  • 1 brinquedo

O tempo foi passando, a alimentação dele foi mudando e eu fui ganhando mais e mais segurança de retirar itens ou acrescentar outros, dependendo do local do passeio. Hoje ele completa 1 ano e 9 meses (ebaaaaaaaa!!!) e eu tenho, basicamente, 3 configurações de bolsa.

Bolsa 1 (para passeios pelo playground do condomínio):

  • 1 fralda descartável
  • lenços umedecidos
  • 1 fralda de pano (ou toalhinha)
  • 1 lanche (fruta ou biscoito)
  • água (copo fechado ou mamadeira)
  • 1 brinquedo (à escolha dele)

 

Bolsa 2 ( para passeios mais longos e mais longe de casa – ex: shopping):

  • 4 fraldas descartáveis
  • lenços umedecidos
  • creme para assaduras
  • comida (papinha ou biscoito, dependendo da hora do passeio)
  • água (copo fechado ou mamadeira, para beber no carro. No shopping, ele bebe no copo descartável ou na garrafa de água, com ou sem canudinho ❤ )
  • colher
  • 1 troca de roupa

 

Bolsa 3 (para passeios em casa de familiares, onde pode rolar um banho):

  • 4 fraldas descartáveis
  • lenços umedecidos
  • creme para assaduras
  • papinha (mesmo que ele coma algo na casa, é sempre bom ter a papinha para caso não queira comer o menu servido)
  • água (copo fechado ou mamadeira, para beber no carro. Na casa, ele bebe no copo normal – e nem aceita a possibilidade da mamadeira rsrsrsrsrs ❤ )
  • Colher
  • 1 troca de roupa
  • 1 toalha fralda
  • 1 sabonete líquido
  • 1 pente
  • escova de dentes
  • saco plástico (para colocar roupas, toalhas, itens molhados)

Deve haver outras configurações de bolsas, porque a vida é dinâmica, mas quis fazer esse post pra contar pra vocês que, com o tempo a gente fica mais confiante para levar menos coisa, a gente descobre o que realmente era necessário levar e etc. No início, por exemplo, eu sempre levava um brinquedo pra ele – e ele NUNCA usava, pois sempre preferiu brincar com as coisas do dia a dia do local onde ele estava (exemplo: com lenços de papel da lanchonete do shopping, com copo descartável, com chaves e chaveiros, com objetos ditos “reais”). O brinquedo sempre foi um desperdício (na minha experiência com meu único filho, deixo bem claro), mas eu o levava por insegurança. Raras foram as vezes em que precisei trocar a roupa do meu filho no shopping ou na consulta médica, por exemplo. Mas eu sempre levava não uma, mas TRÊS trocas de roupa. Fora que eu não confiava em levar o leite dele em potinhos (só consegui me sentir segura com eles bem depois, quando meu filho já devia ter uns 6 meses…rsrsrsrsrs), levava logo a lata toda (e ele nunca foi de mamar/comer muito, era insegurança minha, mesmo…).

Uma dica que eu tenho é: se você vai com muita frequência na casa de parentes ou amigos muito próximos e seus passeios lá costumam ser demorados, seu filho toma banho sempre por lá, veja a possibilidade de deixar alguns itens lá. Tenho uma tia que sempre nos recebe aos finais de semana, então meu filho já tem um “kit banho” e itens de alimentação na casa dela. Avalie essa possibilidade, te poupa tempo, espaço na bolsa e aproxima ainda mais você e seu filho dessas pessoas que amam vocês.

Com carinho,

 

Samia-mãe

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Incapaz

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Hoje, uma das minhas redes sociais me lembrou que faz 1 ano desde a única viagem que já fiz com meu filho, que tem 1 ano e quase 8 meses.

Esse tema ainda dói, ainda consigo ouvir, ao longe, uma voz me dizendo: “Você não foi capaz, linda!” Esse micro post é somente para desabafar, mesmo. Eu poderia explicar, em detalhes, tudo o que aconteceu nas 36 horas em que estivemos fora de casa, até porque lembro com riqueza de detalhes. Mas ainda dói, eu não sou uma fortaleza, sou cheia de fragilidades.

Tenho um objetivo – o de retornar ao lugar onde tivemos nossas “férias frustradas”, mas nem coragem eu tive, ainda, de planejar isso. A tristeza, agora, me invade e as lágrimas começam a brotar do coração. Incapaz. Assim me senti e assim me sinto, toda vez que lembro. Eu poderia ter tentado mais, poderia ter insistido. Mas a dúvida me corroía: estou insistindo por uma vaidade minha? Por que eu quero tanto? Por mim? Se não está bom pro meu filho, se ele prefere estar em nossa casa, por que insistir em ficar?

Por outro lado, hoje eu penso que eu também podia estar sentindo falta de casa, sentindo falta da estrutura, do apoio que tinha. Sentindo falta do colo da minha mãe – que voltou a ser tão importante para mim depois que eu mesma me tornei mãe e descobri que nossas fragilidades não desaparecem quando temos filhos, nós é que, muitas vezes, não nos permitimos chorar e precisar de colo.

Não saberei se foi a decisão “correta”, olho pra trás e ainda dói, ainda dá muito medo. No final das contas, temos apenas suposições sobre o que “poderia”, sobre o que “deveria”. Nossas escolhas, nossas escolhas… o preço a pagar é sempre nosso.

Incapaz – diz a voz. E eu retruco, como que num mantra: “foi o melhor que pude fazer”.

 

Samia-mãe

 

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